Mensagem do Presidente do Conselho de Administração

 

Prezados Clientes e Colaboradores

Caros Stakeholders,

Em 2018, o crescimento da riqueza mundial medida em termos do Produto Interno Bruto «PIB» sofreu uma desaceleração de 0,2 pontos percentuais (p.p.) para 3,6%, segundo o FMI (WEO, Abril 2019). O desempenho da economia foi afectado sobretudo, pelos desentendimentos a nível do comércio internacional entre EUA e a China, e pelo processo do Brexit, introduzindo incertezas nos mercados mundiais e perturbando as decisões de investimento.

A nossa economia também acompanhou o comportamento de desaceleração da economia mundial ao registar uma taxa de crescimento negativa de 1,7%, quando comparada com os 0,1% negativos de 2017, segundo as estatísticas oficiais. O abrandamento, sobretudo, da actividade do sector petrolífero terá influenciado tal desempenho. Desde 2016 que a economia angolana vem registando uma recessão, o que desafia o país a apostar de forma decisiva na diversificação da nossa base económica como uma das medidas anti-cíclicas.

Não obstante este quadro, o Governo conseguiu controlar o índice geral dos preços com a redução da inflação à taxa de 18,6% em 2018, quando comparada com o registo de 23,67% em 2017. Este comportamento de descompressão inflacionista permitiu à autoridade monetária nacional (“BNA”) abrandar a taxa de juro directora para 16,5%, contra os 18% fixados em 2017, reduzindo o custo de capital para os operadores económicos.

 

Em termos de finanças públicas, o saldo global na óptica de compromisso terá registado um superavit fiscal na ordem de 0,6% do PIB (depois de sucessivos défices fiscais observados desde 2014), estando em linha com o propósito do Governo em atingir a consolidação fiscal.

As contas externas registaram um deficit de 0,5% do PIB, pressionando as Reservas Internacionais Líquidas que observaram uma redução de 21,65% para USD 10,6 mil milhões em 2018. A adopção pelo BNA do novo regime cambial permitiu reduzir substancialmente, no final de 2018, o prémio cambial entre o mercado formal e informal, dos anteriores 150% em 2017 para cerca de 20% no ano em referência.

Foi sob este contexto macroeconómico mundial e nacional que o Banco desenvolveu a sua actividade em 2018.

No exercício das suas funções o Conselho de Administração aprovou o Plano Estratégico e de Negócios do Banco para o quinquénio 2018-2022 alinhado com os grandes documentos de orientação da actividade do Governo, designadamente o Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022, bem como o Plano de Estabilização Macroeconómica e o Plano de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (“PRODESI”). Na sequência procedeu ao ajustamento do Regulamento Interno no sentido de responder aos desafios lançados no referido Plano.

Com vista a desmaterializar os processos e garantir um sistema de informação e de tecnologias moderno e robusto, realizamos um diagnóstico ao referido sistema que resultou num plano de acção para a implementação de uma Plataforma Integrada do Sistema de Informação e Tecnologias.

Para uma melhor orientação da actividade do Banco aprovamos mais de 28 novas normas e regulamentos em matéria de gestão de recursos humanos, gestão de risco, gestão de crédito, gestão financeira, compliance, bem como de gestão, controlo e segurança do sistema de informação e tecnologias.

Entendemos que o capital humano, uma vez potenciado, é o principal factor de produção capaz de agregar valor à actividade da instituição, e por esta razão, continuamos a promover diversas acções de formação para os nossos colaboradores nos domínios de Gestão Bancária, Controlo Interno, Compliance, Gestão de Risco, Negócio, Sistema de Informação e Tecnologias.

Mantivemos a aposta na melhoria da nossa relação e da proximidade com os clientes, diminuindo o número de centros de decisão ao longo do fluxo de crédito, de 3 para 2, ao mesmo tempo que iniciamos o processo de redução das áreas de crédito e da revisão de todo o fluxo. Esperamos com estas e outras acções previstas no Plano Estratégico, melhorar o tempo médio de resposta às solicitações dos nossos clientes. Na sequência, foi pensada uma área de marketing e comunicação institucional para aumentar a interação com os nossos clientes.

Compreendemos que a robustez financeira do Banco também passa por conseguir níveis aceitáveis de incumprimento do crédito à medida que forem concedendo novos financiamentos que atendam às novas exigências e procedimentos de análise de risco do Banco. Assim, no exercício de 2018 alcançamos uma taxa de incumprimento de 65%, contra a meta estabelecida de 80% para o mesmo ano. A meta até 2022 é reduzir a taxa de incumprimento para 20%, melhorando a qualidade dos novos projectos que financiarmos. Adicionalmente gizamos uma estratégia de recuperação dos créditos irregulares assente em quatro pilares: i) recuperação interna através do nosso Gabinete de Recuperação de Crédito; ii) venda de toda ou parte da carteira de crédito em incumprimento; iii) terceirização das cobranças para os casos complexos; e iv) negociação de créditos em incumprimento (restruturação).

Concluímos o processo de desindexação dos créditos, que somou 517 créditos desindexados. Com a finalização deste processo acreditamos que os clientes consigam aumentar a sua capacidade de cumprir com o serviço da dívida.

Um facto digno de realce foi a conclusão do processo de adopção plena das IAS/IFRS e o facto de sermos indicados pelo BNA para integrar o grupo de bancos que serão pioneiros na implementação das IFRS 9 em 2019.

Reforçamos a função de gestão de risco, mitigando os riscos financeiros e melhorando os mecanismos de gestão de risco operacional, compliance e auditoria interna.

Continuamos a negociar linhas de financiamento com diversas instituições financeiras internacionais, no sentido suplementar os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND), principal fonte de recursos do Banco, a qual infelizmente não tem obtido desde 2017 qualquer dotação do Tesouro contrariamente ao que está previsto por Lei, o que obviamente tem condicionado um mais rápido alcance das metas estabelecidas no nosso Plano Estratégico, bem como a qualidade das operações da instituição e o nosso desempenho.

Apesar desta limitação o esforço de gestão empreendido pelo Banco permitiu aumentar o seu Activo Total para Kz 467.727.829 mil em 2018, mais 27% face ao período anterior. Este aumento do Activo foi financiado sobretudo, pelo crescimento do Capital Próprio em 79%, este último suportado pelo crescimento do Resultado Líquido do Exercício em 789% para Kz 66.686.167 mil. Constituiu um marco importante para o Banco, a retoma aos Lucros, depois de sucessivos anos a averbar prejuízos.

A Margem Financeira aumentou em 89%, apesar de estar ainda na zona negativa. No entanto, a Margem Complementar apresentou um melhor desempenho ao crescer 282%, passando de Kz 22.293.752 mil em 2017, para Kz 85.112.465 mil em 2018. Esta última evolução impactou positivamente no Produto da Actividade Bancária da instituição ao registar um montante de Kz 83.142.774 mil em 2018, contra os Kz 5.053.133 em 2017, portanto, um crescimento de 1545%.

A capacidade de honrar os seus compromissos, medida pelo Rácio de Solvabilidade Regulamentar apresentou um crescimento de 15,97 p.p., atingindo o valor de 116,92%, portanto, muito acima do mínimo exigido pelo BNA (10%).

A eficácia na utilização dos recursos do proprietário do Banco (Estado), avaliado pelo Rácio de Retorno sobre o Património Líquido (ROE), registou uma taxa de 51,19%, mais 73,87 p.p. que o período anterior.

A capacidade dos activos gerarem resultados (ROA), melhorou em 18,16 p.p., atingindo a taxa de 14,26%.

A eficiência dos recursos empregues na actividade do Banco, medida pelo Rácio Cost-to-Income, registou uma melhoria de 107 p.p., ao passar de 115% em 2017, para 8% em 2018.

A actividade creditícia registou a aprovação de um volume de crédito de Kz 12.555.437,00 mil (operações directas), o desembolso de Kz 23.652.754 mil (operações directas e indirectas) e a recuperação de crédito de Kz 1.322.727 mil.

Apesar dos enormes desafios com que nos debatemos, o ano de 2018 foi bastante frutífero a julgar pelos indicadores registados e o lucro alcançado.

O alcance deste resultado deveu-se fundamentalmente ao engajamento dos colaboradores do Banco que abraçaram os objectivos da instituição.

Continuamos a reconhecer todo o apoio prestado pela Superintendência e Tutela do Banco, na concretização da missão que foi confiada à instituição.

Abrahão Pio dos Santos Gourgel

Presidente do Conselho de Administração